quinta-feira, 1 de março de 2018

Ansiedade é "moda"?

Esta questão já circula  em mim à alguns anos, sendo que estes dias foi colocada novamente em tema de conversa entre mim e uma grande amiga, estudante de psicologia e que tal como eu, temos ansiedade à bastantes anos. 

Quando atribuo o conceito "moda", refiro que atualmente toda a gente diz dramaticamente ter ansiedade e constamos diálogos ridículos como:

 "Ai tens ansiedade ? Eu também tenho! E a minha prima também, e a minha irmã! E as vezes a minha mãe também. Mas o que sentes ? Não sei explicar. Dor no peito. E tens ataques? Não. E já foste ao médico? Não, não é tão grave. Tomas medicação? Não."

Isto é grave. E passo a explicar-vos porquê.
A doença da ansiedade, apesar de já existir à centenas de décadas, apenas no século XXI com a valorização da psicologia, começou a ser mais estudada e infelizmente também mais despertada, visto que estamos num século em que somos constantemente colocados em situações de pressão e stress.
No entanto, e com muita pena minha, ainda existe muito tabu em volta da doença visto que os sintomas que esta revela não são fáceis de perceber, para quem se encontra do lado de fora. 
Tal como já referi em artigos anteriores, já ouvi comentários como "são coisas da tua cabeça" ou de uma forma mais linear "não tens os parafusos todos". 
Portanto, perante uma doença que por si ainda é um mistério principalmente para a sociedade comum, se em cada virar da esquina, há alguém que quando está nervoso sente uma dor no peito e daí em diante auto-intitula-se como tendo ansiedade, o que vai acontecer? A doença deixa de ser credível aos olhos da cidadania, porque subitamente virou “moda”. 
Quem são os prejudicados? Os que realmente lutam contra ela, e por algum motivo numa conversa de café, dizem ter esse problema e não são minimamente levados a sério.  
É importante saber distinguir situações em que ficamos ansiosos por um determinado motivo, ou quando isso faz realmente parte do nosso dia-a-dia e paralelamente além da medicação, tentamos domar os nossos sintomas.
Todos nós sentimos o nervosismos da ansiedade, somos seres-humanos dotados com instintos de sobrevivência, no entanto até que ponto influência e limita o nosso quotidiano? Até que ponto foi um mero nervosismo ou realmente uma patologia com necessidades médicas? 
A ansiedade é um tema que escrevi publicamente a primeira vez à uns meses, contudo continuarei a partilhar com vocês, este lado de uma Susana "mais frágil" para uns ou "mais forte" para outros.  
Não sou médica, nem partilho conhecimentos académicos na área  da saúde, no entanto estou lado a lado com vocês para puder contar-vos aqueles dias que me assustam, e que posso/podemos fazer para ser /sermos  melhor(s).  





PS: Desculpem se inconscientemente desvalorizei os sentimentos de algum leitor, contudo os temas "proibidos" têm que ser quebrados.


Até ao próximo artigo
Beijinhos,

Susana Ribeiro


3 comentários:

  1. Eu, infelizmente, tenho de lidar com os ataques de ansiedade/pânico. Não sou muito feliz por isso, não, mas de facto, há sempre dias melhores. ;)
    O que realmente é frustrante como dizes, é a nossa sociedade pois ela é que nos leva a esse ponto de ruptura! E ainda mais frustrante é que só importas se fores "capaz", de desempenhar certo tipo de atividades, caso não o consigas, deixas de fazer parte do baralho.
    Simples assim..
    Obrigada pelo conteúdo, acho que muita gente tem vergonha de falar sobre este tema.

    Beijinho
    www.trendsandfashionblog.pt

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  2. Infelizmente não tenho esse problema, acho eu. Há sempre alturas piores, em que o stress se apodera, mas de maneira geral sou uma pessoas feliz com as preocupações típicas do dia a dia e do trabalho.
    Um beijinho grande*
    Vinte e Muitos

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  3. Eu já tenho a mais de cinco ano, faço medicação diária e costumo ter crises Frequentes. Contudo e um tema que não tenho qualquer complexo em abordar, e vou abordar mais vezes e de diversas perspectivas. O importante é ser forte, otimista e aos poucos elucidar um pouco mais a nossa sociedade. Obrigada pelos comentários meninas
    Vou seguir os blogues 😘

    Beijinhos,
    Susana Ribeiro

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