Por onde vou começar?
Terminei a minha licenciatura à cerca de dois meses, e ao longo destes quatro anos procurei sempre conciliar a universidade com um part-time, que me facultasse alguma independência financeira.
Nunca fui, o típico ser humano que deixar-me levar pelo conforto e esperar no sofá pelas oportunidades. Hoje, posso afirmar que quando dá-mos início ao nosso percurso académico ainda existe uma certa e longa ingenuidade tanto na escolha da área, como quais realmente serão as reais perspectivas da mesma.
Apesar de há bastantes anos, sermos bombardeados por noticias de jovens insatisfeitos e desiludidos, nunca consideramos que na hora da verdade, anos depois, esse poderá ser o nosso lugar.
Daí a infantilidade e utopia do pensamento "vou licenciar-me, vou estudar muito, vou gastar muito dinheiro em propinas, logo vou ter um trabalho com salário e direitos equivalentes ao meu esforço. É isso."
Anos mais tarde, acordas de sono profundo e bates de frente com a realidade do mundo. Dás de caras com questões em que porventura esta até nem é a área que mais se adequa a ti, a licenciatura pode não te dar um salário melhor, e podes simplesmente não ter trabalho. A cruel sensação de estar ligeiramente perdida no mundo.
Os dias em que mandas c.v. para vários locais e não obtens resposta, ou os dias em que a sugestão irónica da proposta sugere "5 anos de experiência na área" e tu és uma singela criatura que apenas acabou de pagar propinas e está disposta a apreender e seria matematicamente impossível essa situação, ou os dias em que te sugerem o salário mínimo com horas e turnos extraordinários (falando da minha área). Aí, ao final de três, quatro, ou cinco anos tu realmente perguntas "é isto?". É isto, a realidade e bem vindo a ela, independentemente se és licenciado ou não, criativo ou não, lutador, dinâmico e todas as possíveis qualidades, que aprimoras-te.
Actualmente, e não digo isto em tom de frustração, ter uma licenciatura debaixo do braço é uma questão pessoal e não profissional. Terminaste-a, tens mérito e orgulho, contudo a partir que a vida real começa, tu também começas, do zero a trabalhar na melhor empresa ou cargo da tua área, na caixa de supermercado, num restaurante que estavam a precisar de momento, ou numa loja ou fábrica em que a oportunidade surgiu. E como em tudo na vida, "fecha-se uma porta e abre-se uma janela".
Mas se a porta se fechar, és tu que vais abrir a janela e decidir abraçar a vida tal como ela é e não como tu sonhas-te. E quem sabe, ela não te surpreenda?
A minha mãe, sempre me ensinou "a inteligência revela-se na capacidade sermos versáteis às mudanças". E eu, não tenho medo de mudar.
Susana Ribeiro


Sinto-me perdida há 3 anos. Tirei a licenciatura em GRH e... "mínimo experiência 3 anos". Ok... que fazer? As portas que se abrem são poucas. Muito poucas e as janelas passam pela tal "caixa de supermercado" e aí vamos ganhando a "mínima experiência" que em nada vale na "nossa área" (seja já ela qual for...!) "Sou licenciada... e agora???"
ResponderEliminarForça! Boa sorte neste mundo de portas fechadas...
Http://ummaisum-tres.blogspot.pt
Eu sei, é falei porque é mesmo essa a realidaderealidade em várias áreas a respetivas licenciaturas. Sentes um certo vazio, por lado, no tempo que perdes-te. Contudo, o máximo que podemos fazer é espreitando pelas janelas enquanto as portas não se abrem. Obrigada pelo comentário,
EliminarBoa sorte para ti também!
Susana Ribeiro, do blog CRAVO e CANELA